FIG: Prefeitura de Garanhuns não "apita" em nada do festival
O vigésimo oitavo Festival de Inverno de Garanhuns chegou ao
fim, mas deixou o rastro da polêmica. Tudo porque uma peça de teatro enfocava
aspectos trans inserindo, sem qualquer fundamento histórico, o dilema do
segmento LGBT na vida de Jesus Cristo.
Nem precisa ser intelectual para saber que isso não ia acabar
bem. Os defensores da chamada “arte engajada” foram pra cima. Católicos e
protestantes rebateram os “radicais do arco-íris”. O prefeito Izaías Régis,
naturalmente defendendo os fiéis da sua cidade, não compactuou com as
baboseiras ditas no palco por Daniela Mercury e Jhonny Hooker. Já a Fundarpe -
que há mais de 20 anos é responsável total pela elaboração da grade de atrações,
em nota, disse que Izaías aproveitou para fazer “proselitismo político” com o
episódio. A nota apenas pede “desculpas aos cristão” que se sentiram ofendidos.
Até onde se sabe, o tema deste festival era a “diversidade”.
Talvez por isso, a Fundarpe escalou a peça como parte das atrações; mas não se
sabe se o pessoal da Prefeitura de Garanhuns foi avisado com a antecedência.
Também não se sabe se técnicos da Fundarpe tiveram acesso ao teor da peça, se
já tinham assistido ou avaliado o impacto de um travesti em trajes sumários
abordando um tema tão polêmico.
Acho que se Izaías fez uso político do fato é compreensível pois estamos num ano de eleições; além do que todo menino buchudo sabe que a Prefeitura de Garanhuns não “apita” em nada quando o assunto é FIG. Trocando em miúdos: quem saí arranhado mesmo é a Fundarpe e por tabela o Governo do Estado que não teve pulso(ou a estratégia) de agir a tempo e não permitir todo esse embrólio.
Por fim, repito a minha opinião pessoal sobre tudo isso. Não é questão de ser homofóbico ou não. A questão é que a peça não se sustenta porque, historicamente, é um absurdo se inserir aspectos trans numa estória que retrata de uma figura como Cristo. Querer atribuir à Ele imensa compaixão para daí depois denegrir sua imagem no meio da rua é demais para qualquer cristão ou mesmo protestante.
Cada um, é claro, pode ter sua sexualidade. Mas expor abertamente outros aspectos da sexualidade corre-se o risco de se cair no terreno fértil da pornografia e do desrespeito aqueles que pensam diferente. Cada rebanho tem suas ovelhas negras – há, sim, é claro, padres pedófilos, há pastores também pedófilos e corruptos. Mas a comunidade LGBT, acredito, não deveria usar isso como alegação. Isso é um fato que ocorre em qualquer segmento. Ou será que em outros grupos, ditos mais abertos, não existem pessoas depravadas ou escrachadas que não ligam para o que é de bom senso?
Enfim, qualquer pessoa, de qualquer tendência sexual, deve ter postura e entender que vivemos num mundo de padrões(se isso é ruim, aí já vale outro debate). Se dogmas são para ser quebrados, então será assim até o fim dos séculos. Mas que tudo seja feito dentro do respeito e da civilidade.

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