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Por Muriê Moraes: Samba de Latada de Josildo Sá é música de qualidade que não se apega a rótulos

Entre os muitos destaques da II Felis - Feira Literária do Sertão - que aconteceu semana passada, na Praça Virgínia Guerra em Arcoverde, afora lançamentos de livros, rodas de conversa e oficinas; as apresentações de artistas da terra e da microrregião deram um caráter popular e de qualidade ao evento. Um desses nomes foi Josildo Sá que se apresentou na terceira noite da Felis. Nascido em Floresta, mas com boa parte da vida morando em Tacaratu, o filho do acordeonista Agostinho é apontado pela crítica como um músico de várias tendências. Porque admira Chico Science dizem que ele bebeu no manguebeat. Outros, por que gravou o clássico "Samba de Latada" com o saxofonista Paulo Moura, o denominam de sambista. Na verdade, Josildo é antes de tudo um artista que difunde suas raízes do Pajeú, tem uma presença de palco que lembra os brincantes de Antônio Carlos Nóbrega e que não cansa de cantar o Rei do Baião Luiz Gonzaga e o arcoverdense das Caraíbas João Silva. Longe de ser um sambista, Josildo tem incrementado o forró com uma marcação rítmica aberta que muitos, inadvertidamente , podem pensar estar ouvindo o samba que os baianos trouxeram para o Rio de Janeiro no século XIX. Na época os cariocas ouviam nos cabarés da Lapa a polca e algum choro. Josildo então redescobriu o que pode se chamar de "samba do matuto" ou "samba de latada" - uma sonoridade cheia de violões e instrumentos de sopro. "Como todo nordestino quando cheguei no Recife notei muita gente entronchando a cara. Mas resisti, isso sabemos fazer. Quando Paulo Moura se dispôs a dividir o palco comigo tinha gente que dizia - "Não cante com Josildo que você vai estragar sua carreira", lembra Josildo. Pois não é que os agourentos de plantão estavam errados. Com o disco "Samba de Latada"(2008), o pernambucano, ao lado de Paulo Moura fez shows em importantes festivais, como o Tim e foi indicado como ‘Melhor cantor regional’ na 6ª edição do Prêmio da Música Brasileira, em 2008. Em 2011, Josildo assina ao lado de Paulo Moura (de forma saudosa e de homenagem ao grande parceiro) o DVD Samba de Latada. "Desse momento em diante minha cresceu e até hoje estou na estrada", afirmou Josildo. Na Felis, Josildo abriu o show com "Morena Penha"(Manassés e Petrúcio Maia), "Lamento Sertanejo"(Gilberto Gil & Dominguinhos), "Fulô de Abril"(autoral), "Quem me levará sou eu"(Dominguinhos & Manduka), “Prá não morrer de tristeza(Caboclinho & João Silva), “Quixabinha”(autoral) e “Forró de Mané Vito”(Luiz Gonzaga). Na segunda parte trouxe “Nega buliçosa”(autoral), “Forró do Poeirão”(Assisão), “Sete Meninas”(Dominguinhos), “Doidinho, doidinho”(Anastácia & Dominguinhos), "Nem se despediu de mim”(João Silva), “Uma pra outra pra tu”(João Silva), “Pagode Russo”(João Silva(, “Esquenta moreninha”(Assisão), “É proibido cochilar”(Antônio Barros), “Forró desarmado”(Cecéu & Lindolfo Barbosa) e “Diabo louro”(J. Michiles). Já no fim, de tão animado, Josildo deu uma cambalhota completa, chamou a banda - Coringa, Paulinho e Cícero - para a despedida e agradeceu a todos de Arcoverde. Podemos dizer, enfim, que o samba de latada de Josildo Sá é muito mais que forró. É música de qualidade que não se preocupa com rótulo e sim em entreter e fazer pensar.

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