Coluna do Chico Carlos/Sandy & Junior: Uma volta aos palcos em meio a elogios e críticas
A polêmica que envolve a volta aos palcos da dupla Sandy & Junior é um caso que merece elogios e críticas. Quando o caldeirão da música ferve prepare-se que aí vem coisas. Como forma de comemorar os 30 anos de início da dupla, os irmãos irão se juntar novamente para uma turnê, além eles voltam a se reunir quase 12 anos depois da separação.
A dupla Sandy e Junior anunciou a sua volta para uma turnê intitulada “Nossa história”. Foram agendados concertos em Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus e Belém. O anúncio da turnê foi feito durante coletiva em São Paulo em 13/03. Na ocasião, Sandy e Junior explicaram e o reencontro é pontual e não um retorno. Eles ainda negaram que o projeto vá virar um DVD, mas confessaram que estão muito emocionados com a novidade.
A venda dos ingressos da turnê gerou confusões e revolta dos fãs. Depois da paralisação das atividades dos fã-clubes da dupla, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal resolveu investigar a situação. A Justiça quer saber sobre a quantidade vendidos por pessoas, tanto no espaço físico, quanto em relação às vendas na internet. A suspeita é que exista um esquema que burle a cota máxima de vendas, que é de oito ingressos por pessoa, sendo duas de meia-entrada, para favorecer cambistas.
Em verdade, o comércio paralelo em torno da turnê de comemoração aos 30 anos de carreira dos irmãos Sandy e Junior tem faturado alto. Cambistas online tem cobrado até o quíntuplo do valor dos ingressos do show "Nossa História". Na semana passada, os tickets da pista premium, que custavam originalmente R$ 520, para o show na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, no dia 3 de agosto(depois de amanhã), era vendido por R$ 2.530.
Todo o barulho em torno da turnê de Sandy e Junior gerou dezenas de memes nas redes sociais. Muita gente transformou a indignação por não ter conseguido comprar os ingressos em piada. Entre as tiradas dos internautas, o que mais se destacavam eram comentários sobre a imensa fila online que foi preciso enfrentar. Muitos fãs também reclamaram que os cambistas têm interferido na fila e que há falta de apoio na organização para evitar os vendedores irregulares. Foi relatado que os cambistas estavam inserindo pessoas, inadequadamente, na reserva preferencial.
Depois de caras e bocas, finalmente Sandy e Junior se pronunciaram sobre a polêmica envolvendo os ingressos dos shows da turnê deles, que se esgotaram em pouco tempo - a Justiça informou que vai investigar um possível esquema nas vendas dos bilhetes. Através das redes sociais, os irmãos falaram sobre o caso e se mostraram solidários aos fãs. Em um trecho do texto, eles ainda disseram que a equipe também está apurando o que aconteceu em relação aos ingressos. Por fim, Sandy e Junior repudiam qualquer prática criminosa e pedem que os fãs não comprem os bilhetes em pontos que não sejam oficiais. Mas, o problema deve continuar.
O tempo não parou e olhamos pelo retrovisor. Em 1989 duas crianças estavam prestes a se tornar um único fenômeno, Sandy com 6 anos e Júnior com 5, protagonizaram um os momentos de bom humor da televisão ao cantar "Maria Chiquinha"(de Geysa Bôscoli/Guilherme Figueiredo) , ao vivo, no programa Som Brasil, da TV Globo. Os filhos de Xororó, da dupla com Chitãozinho, viram a fama chegar logo e nem imaginavam o sucesso que poderiam fazer.
Com o primeiro disco "Aniversário do Tatu", também veio a primeira premiação, disco de ouro por mais de 300 mil cópias vendidas. Em 1993 "Tô Ligado em Você" superou as vendas dos discos anteriores e mostrou os irmãos no maior estilo anos 80, com direito a regravação de "Splish, Splash". Todavia, foi em 1995 com o disco "Você é D+" que a dupla conseguiu seu primeiro grande hit, a música "Vai Ter Que Rebolar" impulsionou as vendas do álbum que chegou ao disco de platina por 550 mil cópias vendidas.
Em seguida vieram "Dig-Dig-Joy" e "Eu Acho Que Pirei", até chegar em um momento divisor de águas da carreira. Surgiram problemas e os inevitáveis, altos e baixos da dupla, por conta do desgaste do marketing, a corda bamba do mercado adolescente, sem falar no fracasso do disco internacional. Pediram tempo.
Em 2007 os irmãos decidiram colocar um ponto final na dupla, para o desespero dos fãs. Com seu trabalho solo, Sandy lançou três discos de estúdio e dois ao vivo, além de dois DVDs. A cantora colheu hits como "Me Espera" com Tiago Iorc, além de "Pés Cansados", sua primeira música da carreira solo. Júnior trabalhou por trás dos holofotes após o fim da dupla, se tornou produtor musical e ajudou inclusive na produção de algumas músicas de sua irmã. Ele trabalhou também com Manu Gavassi e criou um projeto de música eletrônica. Sandy conseguiu se manter em evidência. Junior submergiu.
Nas últimas semanas, os fãs vêm reclamando dos preços dos bilhetes, da dificuldade de compra e até de esquemas de cambismo virtual. Mesmo não curtindo as músicas da dupla, temos que respeitar a ousadia em retomar uma história que teve alguns trabalhos interessantes e outros insossos. E haja polêmica para chamar a atenção do público e da mídia. Talvez sim, talvez não.
Chico Carlos é crítico musical e escreve regularmente para este site.
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