Caso Delegado Israel Rúbis: Sessão da Câmara é suspensa após manifestante interpelar vereador
Numa plenária cheia de interrupções e gritos de protesto contra a presidência da Casa James Pacheco e demais vereadores, a sessão da Câmara de Vereadores de Arcoverde, na noite da última segunda-feira, 30 de Setembro, praticamente inexistiu.
A presidente Célia Galindo, a exemplo de um evento na Aesa, foi recebida com gritos e vaias. Mas Célia parecia, em parte, segura e enfrentou, com aparente altivez, a turba de manifestantes.
Ela entrou pela porta principal da Casa acompanhada da filha Yula Patrícia e de mais de uma dezena de correligionários. Muitos destes trocaram bate-boca com os manifestantes. Célia foi até "elegante" ao citar as presenças do ex-vereador Luciano Pacheco e de Glaudson - o chamado "Fiscal do Povo".
Devido ao tumulto e ansiedade da plateia - formada por representantes da sociedade civil, clubes de serviço e lideranças de mais de dezesseis bairros que alí estavam para ouvir as alegações dos vereadores quanto ao afastamento do delegado Israel Rúbis - apenas dois edis puderam fazer uso da palavra.
Cleriane Medeiros, a duras penas, conseguiu ler uma nota de esclarecimento sobre o assunto. Disse que as eventuais denúncias contra os vereadores são infundadas e que Israel foi removido para o Denarc de Vitória de Santo Antão por decisão da SDS . "Reafirmo meu compromisso com o povo de Arcoverde; lamento a transferência mas a mesma não se deu por ingerência política. Nunca deixei de manifestar apoio às causas do povo, como foi o grave caso do fechamento da Fundação Altino Ventura quando centenas de pessoas de Arcoverde e região ficaram sem esse serviço na área da oftalmologia", disse Cleriane adiantando também seu elogiado trabalho de acompanhamento sócio-educativo junto à comunidade do Residencial Maria de Fátima Freire.
Já vereadora Cybele Roa, com sua costumeira calma e educação, foi recebida com gritos de "Cybele fica". Disse que não iria alongar-se no assunto. "Na verdade, a resposta da questão veio na nota da Secretaria de Defesa Social. Pra mim não há problema algum do delegado permanecer em Arcoverde ou mesmo retornar. Todos na cidade me conhecem, não amanheço o dia pensando em fazer mal a ninguém, nem ando tramando nada pelas costas. Trabalho de forma transparente e tenho as mãos limpas. Quem quiser me investigar fique à vontade. Digo mais: sou contra qualquer tipo de perseguição. Posso dizer que não tenho nenhuma articulação quanto a esse episódio", concluiu Cybele chegando até a receber aplausos.
O terceiro a tentar falar foi Heriberto do Sacolão, mas em dado momento um manifestantes gritou - "Porque você assinou", numa alusão à um documento que teria sido entregue a uma autoridade de cacife estadual pedindo, por assim dizer, a "cabeça do delegado".
Herberto, bastante alterado, retrucou dizendo - "Prove que eu assinei". A resposta de Heriberto dá margem a se pensar que, teoricamente, esse documento chegou a ser elaborado. Nossa redação ainda vai checar se esse documento foi mesmo entregue no Recife ou em Garanhuns.
Nesse momento então, após vários avisos à platéia de que se respeitasse o Regimento Interno, Célia suspendeu rapidamente a sessão deixando os manifestantes ainda mais furiosos.
Depois o que se viu, no lado de fora do plenário, foram cenas lamentáveis de intolerância tendo Célia que deixar a Câmara escoltada por PMs ante ao temor de ser agredida. A parlamentar não estava em seu veículo particular e saiu do local no carro da frota da Câmara - uma S-10 de cor branca.
Resumo da notícia: Célia atraiu a ira de muita gente, inimigos políticos ou não, ao ofender publicamente, em plena tribuna, a figura de um servidor(o delegado) que, a priori, estava apenas cumprindo o seu dever.
Muitos admiram o dito estilo-coragem da vereadora, por sua trajetória de mãe devotada, de comerciante respeitada, por sua causa pela Educação e ainda por seu intuito de preservar a história da cidade; mas devemos aqui atentar que uma parlamentar com mais de 30 anos de atuação não pode, de forma alguma, se deixar levar pela emoção efêmera de episódios circunstanciais.
Na nossa humilde opinião de "jornalista de Interior"- tantas vezes incompreendido e também achincalhado publicamente- esse episódio é um divisor de águas para Célia.
Como certamente, talvez, a portaria da transferência do delegado se mantenha, vai ficar o "dito pelo não dito". Quando quais das "verdades" do caso vier a tona, saberemos para que lado a opinião publica de Arcoverde irá pender.
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