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São João: “De Salgueiro À Bodocó” o que menos se tocou foi forró




Como diz um amigo paraibano “é difícil remar contra os modismos”. O São João terminou e fica aquela sensação de que o nosso forró foi o que menos se ouviu nas principais cidades do Nordeste. Campina Grande e Caruaru sucumbiram. Arcoverde, mais uma vez, bem que tentou dando vez a Jorge de Altinho, Alceu Valença, Valdinho Paes, Fim de Feira, Mazinho, Geraldo Azevedo, entre outros. Aqui, desde 2005, vem se buscando consolidar um formato de multi-culturalidade com vários pólos que servem para abrigar outros gêneros musicais.

Em termos vem dando certo, mas em algumas ocasiões, tem-se a impressão, que, aqui acolá, a coisa foge do controle. Não se pode pedir a um cantor que não incluam no repertório “pérolas” como “Só quer Vrau”(MC MM) ou “Novinha Pode Pá” - certamente as mais tocadas e reprisadas nas noites mais concorridas. Poderiam, numa analogia, os organizadores das festas juninas fazer como a Prefeitura de Olinda que proíbe o axé da Bahia em tempos de Carnaval? É complicado ir contra a maré da juventude desinformada e adepta de modismos instantâneos que verbalizam a pornografia barata e até, eventualmente, a ostentação dos barões do tráfico.

A apresentação de Marília Mendonça, uma artista respeitada até por compositores de outros gêneros(como MPB e rock), poderia muito bem ter sido de alto nível. Mesmo com um repertório cheio de baladas de “sofrência light”, escritas de próprio punho, Marília não se furtou e inseriu em parte do show dois dançarinos que fizeram um medley de funks. Ninguém tem nada contra o funk, mas se tratando de Marília era plenamente dispensável. Já Márcia Felipe não teve pena: mandou ver “Vrau” várias vezes e requentou alguns sucessos do vaqueiro Mano Walter.

Entre mortos e feridos, digamos, todos “ouvidos” da platéia escaparam. Mas na última noite de São João o que o turista mais queria era só uma “palinha” de Luiz Gonzaga, João Silva, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda e Trio Nordestino. Seria pedir demais?
Terminamos aqui com a reflexão esperançosa do compositor Adílson Medeiros:
Tento todo dia, pela parte que me toca, construir a música do meu tempo, mas a maioria da parceirada vive presa no passado e na repetição. 
Como renovar a nossa música sem perder as referências? Nossos amigos compositores e intérpretes precisam cooperar também. Vamos?
Arte é vida, é movimento. Não adianta cair na ladainha de pedir aquele São João de volta; não podemos morar na nostalgia”.


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