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Relembrando “causos” da cidade da Pedra



A recente ida à cidade da Pedra, para cobrir o Festival Cultural da Juventude, trouxe-nos boas recordações. Primeiro do imenso lajedo(uma enorme formação granítica de forma cônica, uma pedra com 3.822 metros de circunferência e 615 metros de altura), que mesmo na pré-adolescência, gostava de “escalar” com amigos sempre nos primeiros raios de sol ou nos finais de tarde.

Ficava a imaginar quem teria criado aquilo tudo, ouvia os mais velhos dizer que, certa vez, Lampião e bando se esconderam na parte detrás do lajedo, que Maria Bonita teria esquecido um lenço, que um cangaceiro apressado teria deixado uma velha alpergata pelo caminho. Indagava que, dependendo de que ângulo se olhasse, teria o lajedo uma “parte detrás”? Perguntava essas coisas a Papai Moraes e ele dizia que o povo da Pedra nunca teve medo de Lampião e que os moradores de lá só entendiam de “leite e queijo”.
Lembro que, quando ia à Pedra, ficava na casa de Tia Elizabeth(hoje morando em Garanhuns) e do esposo dela - Abílio Leite, um exímio violonista que trabalhava no DNOCS.

Brincávamos o dia todo com os primos e à noite tinha um cineminha na cidade. Depois da janta, pegávamos bancos e cadeiras(pois a sala de exibição, acho, não dispunha de cadeiras) e lá íamos nós ver “seriado” e comédias de Mazaroppi. Certa vez, o projecionista encheu a cara de cachaça e exibiu o Canal 100(uma espécie de telejornal que prorizava o Campeonato Nacional) de cabeça para baixo. Outro cachaceiro gritou: “Ei cabra, os jogadores estão de cabeça prá baixo, assim eles não vão acertar o gol”. E eu e a meninada caímos na “mangação”. Bons tempos.

Pelo menos, hoje, ficou a constatação: os moradores da Pedra não só entendem de “leite e queijo” como, um dia, me disse Papai Moraes. Pedra hoje tem tudo para se consolidar como destino turístico do Estado, sem falar que os pedrenses sabem, como ninguém, dar valor às nossas manifestações culturais. Basta ver a beleza que foi o 2º Festival Cultural da Juventude.
(Foto: Dinho Anderson).




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