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Segunda noite do Festival Cultural da Juventude da Pedra teve forró de As Severinas, Targino Gondim, e ainda maracatu e xaxado


Foi uma sexta feira(13.07) para não se ter medo de assombração na cidade da Pedra. A segunda noite do Festival Cultural da Juventude da Pedra teve de tudo um pouco, principalmente mostrando que é possível fazer eventos que priorizem nossas mais legítimas manifestações populares.

No Palco Sesc o grupo Teatro de Retalhos, de Arcoverde, encenou a peça infantil “Mala-assombro - Contos do Além Sertão”. O texto, oriundo de pesquisas feitas junto a moradores de áreas rurais e inspirado no legado do antropólogo Câmara Cascudo, relata de forma leve e com muito humor para alegrar a criançada, estórias de malassombros (as ditas criaturas etéreas e fantasmagóricas no Nordeste). Os personagens Dona Nina, Seu Biu e Zé das Cangas contam cinco estórias e levam a criançada ao delírio e, por que não dizer, ao “medo”. Os atores são Djaelton Quirino, Carol Viana e Isabelly Torres.

Em seguida se apresentou o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião(composto por dez integrantes), de Serra Talhada, trazendo a dança típica do Sertão que tanto encanta os turistas. Eles abriram o espetáculo cantando o Hino de Pernambuco em ritmo de baião, passando por textos explicativos falando do contexto histórico em que se deu o cangaço. O grupo tem 23 anos de atividades e já se apresentou por todo o país e também no Exterior.

Hits conhecidos como “Mulé Rendeira”(Zé do Norte), “Catinga de Cangaceiro”, “Acorda Maria Bonita”(Antônio dos Santos) e “Cavalos do Cão”(Zé Ramalho), entre outros agradaram bem mais os mais velhos da cidade já que relatos, não confirmados, Virgulino Ferreira teria até escalado o imenso lajedo que dá nome à Pedra. Em certo momento o ator que faz Lampião declama: “a chupeta que carrego é o rifle e a cartucheira, o leite é bala de chumbo muito veloz e certeira; quem se julga pedra rocha venha ver se agüenta brocha”, que dizem ser de autoria de Virgulino Ferreira. O grupo foi acompanhado pelo regional composto por Maricota(vocal), Cajarana(zabumba), Bento(triângulo) e Zabelê(sanfona)

A terceira atração da noite, já no Polo Multicultural,  foi o Maracatu Nação Pernambuco com todos seus adereços e afro-descendência. Surgido no final dos anos 80, numa criação do compositor e bailarino Bernardino José. Teve muita importância na movimentação musical dos anos 1990, incluindo a criação do Movimento Mangue. Chico Science era freqüentador assíduo dos ensaios abertos do grupo antes de consagrar sua Nação Zumbi. O Maracatu Nação Pernambuco atuou como uma espécie de embaixador da cultura pernambucana, realizando apresentações em quase todo o Brasil e em países como Alemanha, França, Portugal, Bélgica, Inglaterra, Estados Unidos, China, Espanha, Itália, Suíça, entre outros. Desfila durante o Carnaval pernambucano, principalmente pelas ruas do Recife e Olinda, apresentando um figurino assinado pelo artista plástico João Neto o grupo é baseado em pesquisas dos maracatus tradicionais.

Depois três garotas do Pajeú subiram ao palco para mostrar  que honram nossas tradições, de um bom forró e muita poesia. As Severinas abriram o show com um instrumental de “Feira de Mangaio”(Glorinha Gadelha & Sivuca) seguindo com “Forró das Severinas”, “Funaré”(Flávio Leandro), “Gostoso Demais”(Dominguinhos), “Cajuína”(Caetano Veloso), “Esquadros”(Adriana Calcanhoto), “Não Sonho Mais”(Chico Buarque) e “Sete Meninas”(Dominguinhos), entre outras.
Formado por Monique D’Angelo(sanfona e vocal), Isabelly Moreira(triângulo) e Marília Correia(zabumba) - As Severinas acertam na junção da MPB de qualidade com a sonoridade do baião. “Essa leitura que fazemos da MPB é natural porque sentimos ela assim como sentimos o universo da música regional, as coisas não se excluem e a resposta do público tem sido ótima”, afirma Monique. Ela é de Itapetim, enquanto Isabelly e Marília são de São José do Egito - terra do saudoso advogado e pesquisador José Rabelo de Vasconcelos. A banda das Severinas tem ainda Alysson Érick(sanfona), Gláucio Vinicius(percussão) e Gleidson Lucena(baixo); a produção é de João Vinicius. Muita gente se emocionou quando a vocalista declamou uma poesia de Maria Rafael dos Anjos Ferreira(Rafelzinha/poetisa do Serrote Pintado, zona rural de São José do Egito).

Um dia estava chorando
Lá num banco da cidade.
Perguntou-me uma velhinha,
Como quem tem piedade:
- Por que choras, criatura?
Eu respondi: - De saudade!
- Eu vou dizer pra senhora,
Com toda sinceridade!
Estas lágrimas que derramo
Aqui, em plena cidade,
São as mágoas de um amor
Que perdi na mocidade.
- Desculpe eu lhe perguntar:
Ele já é falecido?
- Deus me livre! Não, senhora!
É forte, jovem e nutrido...
Mas o que eu sofri por ele
Já dava pr'eu ter morrido!

Quem fechou a noite foi o cantor Targino Gondim que abriu o show com “É proibido cochilar”(Antônio Barros), “Pra se aninhar”, “Esperando na Janela”, “Fingindo que não tá, “Devagarinho”, “Morena do Juazeiro”, “Jardim dos Animais”.  Targino relatou que certa que estava fazendo um show em Senhor do Bonfim quando Ivete Sangalo o agarrou por trás. “Eu disse – eu achei foi bom, e emendei com ‘Eu só quero um xodó”, lembrou Targino que tem feito trabalhos com Zeca Baleiro e Carlinhos Brown. Fechou o show bisando o “Esperando na Janela”(Targino e Manuca Almeida), da trilha do filme “Eu, Tu, Eles”(2009).
Targino apesar de sua base em Juazeiro, na verdade é pernambucano de Salgueiro. Aos 45 anos é filho do caminhoneiro Targino Alves Gondim(88 anos) e da dona-de-casa Maria Monteiro(80). Começou tocar por influência do pai aos 11 anos. O primeiro sucesso na região se deu com "Até Mais Ver"( 1994). Em 2010, Gondim foi agraciado na 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira como o melhor cantor regional. Uma curiosidade: o avô de Targino, Seu Zeca Targino, foi considerado o maior produtor de rapadura do Sertão.
Os próximos shows de Targino são: Comemoração pelo aniversário de Juazeiro(BA) no dia 15.07; depois vai à Angola para uma serie de apresentações naquele país africano. Em agosto volta ao Brasil para se apresentar no dia 2 no Bar da Brahma, dia 3 no Centro de Tradições do Nordeste e dia 4 tem um show privado.
(Fotos: Amannda Oliveira/Especial).






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