Exclusivo: Especulação e falta de cuidado com a notícia por parte de sites locais marcam veiculação de fato ocorrido na Igreja de Nossa Senhora de Fátima(Boa Viagem)
Quinze dias depois de um fato ocorrido, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro de Boa Viagem(Recife), o padre Adílson Simões tocou no assunto, an passant, tanto em celebrações no Santuário da Divina Misericórdia quanto na Matriz do Livramento.
O pronunciamento só se deu após a Arquidiocese de Recife e Olinda autorizar Padre Adílson a falar sobre o fato.
Seguindo o cuidado que temos com a notícia, este site preferiu não veicular nada e só depois partir para apuração do ocorrido. Nem Padre Adílson, nem o bispo Dom José Luiz Ferreira Salles, nem o Arcebispo Dom Fernando Saburido se pronunciaram oficialmente.
O que se tem, até agora, é um relato preliminar do Padre Adílson, pois nem ele mesmo sabe explicar as dimensões do acontecimento.
De acordo com vídeos - que vale dizer, circularam na Internet sem autorização prévia de Padre Adílson e de qualquer outra autoridade da Igreja Católica - quando pegou o 1° Sanguíneo(pano de linho para enxugar o cálice) durante o Rito Sacramental(que é a terceira parte de uma Missa), o padre sentiu que tinha ocorrido algo e mostrou aos ministros. Um deles, então, voltou a Sacristia e trouxe um novo "sanguíneo" para de novo limpar o cálice. Mas todos se depararam, mais uma vez, com manchas no pano como se estivessem sujos de sangue.
Fontes disseram a este site que um dos panos teriam seis manchas em pontos distintos aliados ao que seria uma massa pastosa consistente. Todo material foi então recolhido para análise e posterior envio ao Vaticano.
O que mais chama atenção nesse episódio é a forma banal como certos sites locais trataram um assunto de tanta relevância. O primeiro deslize foi de quem postou primeiro as imagens feitas, ainda dentro da igreja em Boa Viagem, sem que o Padre Adílson tivesse dado a autorização.
Daí, foi um pulo para certos sites de Arcoverde começarem a especular, mesmo com Padre Adílson tendo a discrição de não conceder entrevistas ou falar detalhes do fato. O próprio religioso foi às redes sociais, no último domingo(19.01), dizer que se recusava a falar sobre o assunto. Ou seja: ninguém ouviu o padre, mas mesmo assim escreveram dezenas de linhas sobre o fato.
Mas a saga de especulação continuou. Deram manchetes sensacionalistas ventilando a investigação por parte do Vaticano de um "suposto milagre". Mas qual foi mesmo esse suposto milagre? O que esse milagre de fato beneficiou a que pessoa?
Ninguém sabe como - se com ou não com autorização - os sites veicularam também uma mensagem "privada" no Whatzap do Padre Adílson ao também padre Luciano(da paróquia de Boa Viagem) relatando toda a sua ansiedade ante o acontecido, onde ele diz que tentou ligar várias vezes para o padre no Recife e não obteve êxito. Ora, se o padre Adílson queria mesmo falar com o padre Luciano por telefone deduz-se então que o assunto tinha caráter estritamente privado. A mensagem privada diz ainda que Padre Adílson relatou tudo ao amigo e bispo emérito Dom Dino Marchió.
Fica aqui a reflexão: fazer notícia é algo sério e os leitores e pessoas envolvidas em qualquer assunto merecem respeito.
E ainda dizem que jornalista é uma profissão em extinção. Mas, acredito, mesmo com toda tecnologia, ainda precisamos de quem, de fato, saiba, relatar uma estória e não distorcê-la. Quem assim age não é jornalista.
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